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A campanha fechou no verde. Depois chegaram as devoluções

4 de novembro de 2026

A Casa Lume é uma loja on-line fictícia, criada para este exemplo. Em um mês, uma campanha registra R$ 10 mil em vendas com R$ 2 mil de mídia, e o painel mostra ROAS 5. Semanas depois, R$ 2 mil voltam aos clientes. O ROAS líquido de devoluções cai para 4, e a campanha ainda parece boa. Só que essa conta não diz quanto sobrou.

Três números, três perguntas

Indicador Conta Resultado O que responde
ROAS bruto 10.000 ÷ 2.000 5,0 Quanta venda foi registrada por real de mídia?
ROAS líquido de devoluções 8.000 ÷ 2.000 4,0 Quanta receita permaneceu por real de mídia?
Contribuição após mídia ÷ mídia 2.400 ÷ 2.000 1,2 Quanto sobrou por real de mídia?

A terceira linha depende de duas premissas do caso: R$ 3.200 de custo dos produtos que ficaram com os clientes e R$ 400 de frete e manuseio das devoluções. Também supomos que os itens devolvidos voltam ao estoque sem perda. Assim, 8.000 − 3.200 − 400 − 2.000 = R$ 2.400.

A Ajuda do Google Ads define ROI como a relação entre lucro líquido e custos e explica que o método exato varia conforme as metas da campanha. Daí nossa recomendação: escrever numerador e denominador ao lado de cada indicador. Aqui, o denominador é apenas a mídia, portanto o 1,2 não representa o retorno da operação inteira.

Método: reconciliar pela data da compra

A documentação de e-commerce do Google Analytics trata compra e reembolso como eventos distintos, e o transaction_id permite associar a transação. A partir disso, propomos um método próprio. Lançar a devolução no mês em que ela ocorreu pode penalizar a campanha seguinte e poupar a que originou a venda. A coorte corrige essa distorção:

  1. Congele a coorte: liste as compras do período com transaction_id, valor e campanha atribuída na compra.
  2. Associe os reembolsos: leve cada um à coorte da compra original, não ao mês em que saiu do caixa.
  3. Marque a idade: acumule as devoluções em D+7, D+15 e D+30, contados da compra.
  4. Inclua os custos: some produto mantido, logística reversa e mídia.
  5. Compare idades iguais: mantenha a coorte aberta até o fim da janela definida pela empresa.
Idade da coorte Devolução acumulada Receita líquida ROAS líquido
D+0 R$ 0 R$ 10.000 5,0
D+7 R$ 600 R$ 9.400 4,7
D+15 R$ 1.400 R$ 8.600 4,3
D+30 R$ 2.000 R$ 8.000 4,0

A curva acima também é fictícia. Ela evita um erro comum de leitura: uma coorte nova com 4,7 em D+7 não supera uma coorte madura com 4,0 em D+30. A comparação justa exige a mesma idade.

A régua para decidir

Antes da mídia, a Casa Lume retém R$ 4.400 sobre R$ 8.000 de receita líquida, ou 55%. O ROAS líquido de equilíbrio é, portanto, 1 ÷ 0,55 ≈ 1,82. Com 4,0, a campanha tem folga no caso. Sem essa régua, 4,0 é apenas um número agradável: com margens menores, o mesmo ROAS poderia significar uma folga bem menor.

Limites do método

  • Premissas: valores, curva e janela de 30 dias são ilustrativos. Cada negócio precisa medir os próprios prazos.
  • Causalidade: herdar a campanha atribuída na compra organiza a conta, mas não prova que a mídia causou a venda.
  • Exceções: trocas, reembolsos parciais e itens sem condição de revenda exigem regra própria e alteram a margem.
  • Simplificação: a régua de 55% supõe margem estável. Se o mix de produtos ou a taxa de devolução mudar, refaça a conta.
  • Qualidade dos dados: eventos ausentes ou identificadores inconsistentes quebram a associação. Confira os totais com o financeiro antes de decidir.

Na próxima revisão, peça as três linhas da primeira tabela e a idade de cada coorte. Se o relatório trouxer só o ROAS bruto, ele mostra quanto foi vendido, mas não quanto ficou nem quanto sobrou.

Para aprofundar

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