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O dia em que dois produtos viraram o mesmo item no catálogo

4 de novembro de 2026

A Casa Ipê, varejista fictícia criada para este artigo, vende duas garrafas térmicas: uma de 500 ml e outra de 750 ml. Na planilha do fornecedor, ambas chegaram com o mesmo identificador, aqui chamado de GTIN-A para não simular um código real. O cadastro aceitou, porque cada garrafa tinha SKU próprio, e o feed foi junto. Por dentro, eram dois produtos. Pelo identificador, um só.

O perigo, a nosso ver, é que cada sistema parece correto quando olhado isoladamente.

SKU organiza a casa; GTIN identifica o produto

O SKU é chave da sua operação: você cria e reorganiza conforme a necessidade. O GTIN pede outra postura. A ajuda do Google Merchant Center fala em número atribuído pelo fabricante e orienta enviá-lo somente com certeza; na dúvida, nada de adivinhar ou inventar. A página também avisa que ausência ou erro nesse atributo pode limitar a visibilidade do produto.

Daí a regra que propomos: campo vazio com pendência registrada vale mais que número plausível sem origem.

Reconciliação em cinco passos

O procedimento abaixo é proposta da Sinal, não exigência de plataforma.

  1. Congele três extrações do mesmo dia: lista do fornecedor, cadastro interno e feed enviado, com SKU, GTIN, MPN, marca, título e variação.
  2. Una tudo pelo SKU interno. Se o fornecedor usa outro código, monte antes uma tabela de equivalência. Unir pelo GTIN esconderia justamente o erro procurado.
  3. Compare o GTIN nas três colunas, sem corrigir nada ainda.
  4. Agrupe por GTIN e procure repetições. Dois SKUs com o mesmo número podem ser duplicidade interna do mesmo produto; tamanhos diferentes, como nas garrafas, exigem bloqueio.
  5. Classifique e busque evidência. Cada exceção ganha responsável, decisão e comprovação: foto do código na embalagem ou confirmação do fabricante.

Como a fila ficaria numa amostra

Na amostra fictícia de 40 SKUs da Casa Ipê, a classificação ficou assim. Os números só ilustram a conta e não são referência de mercado.

Situação SKUs Decisão
Três fontes iguais, sem repetição indevida 30 Manter e sortear alguns para conferência física
Fornecedor diverge do cadastro ou do feed 4 Retirar o GTIN do feed até comprovar a origem
Mesmo GTIN em produtos diferentes 4 Bloquear o envio do identificador e acionar o fornecedor
Sem GTIN nas três fontes 2 Não preencher; perguntar se o fabricante atribuiu um

A conta: 30 de 40 dão 75% sem exceção aparente; os outros 10 (25%) formam a fila. Recomendamos começar pelos 4 SKUs em conflito, dois pares, um deles o das garrafas, porque ali um identificador aponta para produtos distintos. O Google sugere informar o MPN junto com o GTIN; usá-lo como teste cruzado é ideia nossa. Na ficção, as fotos das embalagens mostraram códigos diferentes, GTIN-A e GTIN-C, e o fornecedor corrigiu a planilha.

O que a auditoria não prova

  • Concordância não é verdade: se cadastro e feed copiaram o fornecedor, as três colunas repetem o mesmo erro. Por isso a conferência física por amostragem.
  • O método encontra inconsistências, mas não mede impacto em vendas ou visibilidade. Isso exigiria um teste próprio.
  • O recorte aqui é o atributo GTIN no Merchant Center; outros canais pedem verificação das próprias regras.

Antes que o código saia da planilha

O assunto pode ultrapassar o feed. A sintaxe do GS1 Digital Link permite expressar identificadores GS1 em endereços web, inclusive nos que vão dentro de códigos de barras. Nossa leitura: quanto mais lugares reutilizam o mesmo número, mais trabalhoso fica corrigi-lo depois. Vale reconciliar antes de ampliar o uso.

Para quem decide, a primeira medida nem é técnica: nomear quem responde pela origem de cada GTIN e rodar a reconciliação a cada nova planilha de fornecedor. Sem dono, a próxima garrafa entra pelo mesmo caminho.

Para aprofundar

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